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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Ronaldo Eterno

Não. Não é uma comparação ao rei do futebol. Apesar de ser impossível ignorar as semelhanças entre os dois, seria burrice querer compará-los. E não é por achar que Pelé é insuperável, mas por entender a diferença entre seus reinados.

Nasci em 1989 e não tive o prazer de acompanhar Pelé de perto, mas mesmo que remota, minha primeira memória futebolística é de 1994. Época em que um menino dentuço de apenas 17 anos (conhece outro assim?) conquistava sua primeira copa do mundo com a seleção brasileira.

E na mesma proporção que crescia meu conhecimento e minha paixão por futebol, crescia a carreira desse fenômeno da bola.

Em 1996 e com apenas 20 anos, já era o melhor jogador do planeta, fato repetido no ano seguinte e posteriormente no inesquecível 2002.

Ronaldo era a imagem do talento brasileiro na Europa, e com status de melhor jogador do mundo chegava à Copa do Mundo da França com uma Copa América no currículo e como estrela principal de uma verdadeira constelação.

E quando todos esperavam um pentacampeonato com a marca do fenômeno, ele caiu. Depois do fatídico episódio da convulsão as vésperas da final, o mundo se curvou ao talento de um outro careca: Zinedine Zidane. O craque francês roubou o que seria a consagração máxima de um fenômeno.

O ano de 1999 começava e Ronaldo com naturalidade, recuperava o prestígio perdido no ano anterior. Campeão da Copa América, o ano ficaria marcado por outro momento muito mais doloroso do que a própria final da Copa.

Ronaldo sofreu grave lesão no joelho, e depois de cinco longos meses, voltou a campo para em seu primeiro lance, cair. Naquele momento, o Brasil inteiro caiu. Os jornais estampavam o fim precoce de um jogador brilhante.

Mas se os brasileiros desistiram de Ronaldo, Ronaldo não desistiu do Brasil, e após 15 meses de tratamento, voltou a jogar.

Foi convocado por Luis Felipe Scolari para uma desacreditada seleção brasileira, onde nem mesmo Pelé (vejam só), apostava que aquela seleção pudesse chegar ao título.

E quando os brasileiros criticaram a ausência de Romário e a presença de Ronaldo, ele resolveu responder de uma forma digna de seu apelido. Fenomenal.

Penta campeão, artilheiro da Copa do Mundo e novamente melhor jogador do planeta.

“Convocado” para outra constelação, Ronaldo foi contratado pelo Real Madrid, e se juntou a Zidane, Figo, Roberto Carlos e Raúl para formar o time de “galácticos”.

Nesse período, participou da Copa de 2006, e tornou-se o maior artilheiro de copas com 15 gols, mas foi vítima novamente do seu companheiro de time e carrasco, Zinedine Zidane.

Em 2007, Ronaldo voltava a Milão, dessa vez para jogar pelo Milan. Dois anos de poucos jogos, freqüentes lesões e novamente a “certeza” de boa parte da imprensa: Ronaldo acabou.

Acertou sua transferência com o recém promovido Corinthians, em uma negociação que mais parecia estratégia de marketing do que a contratação de um jogador de futebol.

Mas entre críticas e desconfianças, o menino pobre de São Cristóvão voltou. Após ter feito história no futebol europeu, Ronaldo voltava pra casa querendo escrever o último capítulo de uma carreira brilhante.

E mesmo “gordo”, ele ainda conseguia ser fenomenal. Foi campeão paulista e da Copa do Brasil com participação decisiva e gols dignos de um craque.

O “ex-jogador em atividade” voltou, vejam só, a ser cogitado para seleção brasileira!

Mas após dois anos de “loucura”, Ronaldo anunciou o fim de uma forma melancólica. E se hoje estamos vendo o cair, ou “morrer” pela primeira vez, tenho certeza de que ainda iremos vê-lo se reerguer, ou “renascer”.

Aliás, renascer não, pois mitos não morrem. E assim como Pelé, Ronaldo é eterno.

Talvez seja impossível que alguém um dia assuma o posto de rei do futebol. Ou que seja colocado quase que indiscutivelmente como maior jogador da história. Mas se alguém fez ao menos sombra ao reinado absoluto de Pelé, esse alguém foi Ronaldo.

Em uma época completamente diferente, em um futebol completamente modificado, Ronaldo colocou um ponto de interrogação sobre a até então indiscutível discussão de “quem é melhor?”

Ronaldo Fenômeno. Sua história será contada para sempre no mundo do futebol por pessoas que como eu, terão o imenso prazer de lembrar todos os feitos de um “gordo” que conquistou uma nação.

Enfim, não vi Pelé, mas vi Ronaldo.

2 comentários:

  1. Muito bom, ainda mais que se trata de um dos maiores jogadores de todos os tempo. Parabéns pelo texto!

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